O nome promete mais do que qualquer método entrega. Demolição silenciosa é uma família de técnicas que substitui o impacto percussivo por outra forma de aplicar energia, e o ganho real está menos no ruído do que na vibração.
Vale começar por aí, porque é onde a expectativa costuma se desalinhar.
Ruído e vibração são dois problemas diferentes
Ruído é o que incomoda quem ouve. Tem limite legal por horário e por região, e é o que gera reclamação e notificação.
Vibração é o que atravessa o solo e a estrutura e chega na construção vizinha. Não é sentida como dano no momento: aparece depois, como fissura em reboco ou trinca em alvenaria, e aí a discussão passa a ser sobre o que já existia antes.
Os métodos silenciosos resolvem os dois em graus bem diferentes. Reduzem o ruído de forma variável, alguns bastante, outros pouco. Mas eliminam praticamente toda a vibração, porque nenhum deles transmite impacto à estrutura.
Quando a restrição é vibração, e não ruído, o ganho é quase total.
Os métodos, e o que cada um resolve
Corte com disco diamantado serra concreto e armadura em espessuras compatíveis com o diâmetro do disco. Gera ruído contínuo relevante, sem o impacto do rompedor, e exige água para refrigeração e contenção de pó.
Fio diamantado é a solução para seção grande, onde nenhum disco alcança. Um cabo com pérolas diamantadas circula sob tensão através do concreto. É bem mais discreto que o disco e permite cortar peças de dimensão praticamente ilimitada.
Rompimento hidráulico usa cilindros introduzidos em furos previamente executados, que se expandem e abrem a peça de dentro para fora. Não há impacto: há pressão crescente.
Argamassa expansiva é o único método efetivamente silencioso. Um composto é lançado em furos e expande por reação química ao longo de horas, fraturando o concreto sem motor, sem parte móvel e sem operador presente durante a ação.
Pinça hidráulica acoplada à escavadeira esmaga e separa em vez de percutir. É a menos silenciosa da lista e a mais produtiva, e frequentemente é o meio-termo que resolve.
O custo, e a comparação que faz sentido
Todos esses métodos custam várias vezes mais por metro cúbico que o rompedor, e rendem bem menos por dia. As razões são estruturais: dependem de furação prévia, de água, de energia no ponto, de equipe especializada e de tempo de reação, no caso da argamassa.
Comparar esse custo com o do rompedor leva sempre à mesma conclusão, e ela é enganosa.
A comparação correta é outra. Onde existe restrição severa de ruído ou vibração, a alternativa ao método silencioso não é uma demolição mais barata: é nenhuma demolição naquele horário, ou naquele trecho. Comparado a não trabalhar, a métodos que multiplicam o prazo, ou a indenizar dano em construção vizinha, o custo por metro cúbico deixa de ser o número relevante.
Onde ele deixa de ser opção e vira exigência
Quatro situações recorrentes:
Vizinhança sensível. Hospital, escola, laboratório e data center têm tolerância própria, e em alguns deles vibração afeta operação e equipamento, não apenas conforto.
Estrutura preservada. Em retrofit e demolição parcial, o elemento vizinho ao corte vai permanecer. Percussão ali transmite energia para dentro dele, e microfissura em pilar não se enxerga no dia.
Vizinho frágil ou tombado. Edificação antiga, com fissura preexistente, ou bem protegido em área envoltória. Aqui a vibração é risco concreto, não incômodo.
Restrição legal de horário que reduziria a janela a ponto de inviabilizar o prazo. Às vezes o método silencioso é o que permite trabalhar mais horas por dia, e o ganho de janela compensa a produtividade menor.
Na prática, combina-se
A obra que usa método silencioso do início ao fim é rara, e quase sempre desnecessária.
O padrão é usar o método caro apenas na faixa crítica: junto à divisa, junto ao elemento que será preservado, ou dentro do horário restrito. Corte com fio ou disco isola o trecho, separando-o do que fica; a fragmentação do que já está solto acontece depois, longe de quem seria afetado, com método convencional.
Isso concentra o custo alto exatamente onde ele compra alguma coisa, em vez de espalhá-lo por uma obra inteira que não precisava dele.
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