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Demolição de casas antigas

Casa antiga não tem projeto: tem uma sequência de reformas que ninguém registrou. E o telhado, em muitas delas, é o que está segurando as paredes.

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Demolição de casas antigas da GVI Demolidora

Uma casa antiga é uma obra pequena e um levantamento grande. O motivo não é a deterioração, que costuma ser superestimada: é que não existe desenho que corresponda ao que está lá.

Cinquenta anos produzem ampliação nos fundos, varanda fechada, cobertura trocada, instalação refeita por cima da antiga e, com frequência, um pavimento acrescentado depois, nada disso registrado, nem sempre executado com critério.

O que se contrata, então, não é a demolição de uma construção conhecida. É a demolição do que for encontrado, e isso precisa estar explícito no orçamento.

O telhado pode ser o que segura as paredes

Este é o ponto que mais surpreende, e o que mais gera acidente em obra pequena.

A sequência intuitiva começa pelo telhado: é o mais alto, é o mais leve, e parece o começo natural.

Em construção antiga de tijolo sem cinta de amarração no topo das paredes, a própria estrutura do telhado é o que trava uma parede na outra. As linhas e o frechal amarram o conjunto.

Retirar essa estrutura primeiro deixa paredes altas, esbeltas e sem travamento no topo, livres para tombar, e frequentemente para fora, na direção da rua ou do vizinho.

A verificação vem antes de subir no telhado:

  • há cinta de concreto no topo das paredes?
  • a estrutura do telhado está amarrando ou apenas apoiada?
  • as paredes são altas em relação à espessura?

Sem cinta, ou se instala travamento provisório antes, ou se derruba cobertura e parede de forma conjunta e controlada.

Cada década deixou um material

Identificar a época da construção antecipa boa parte do que vai aparecer:

Telha de fibrocimento e caixa d’água do mesmo material. Padrão por décadas no Brasil. O estado de São Paulo proibiu o amianto pela Lei 12.684/2007, e construção anterior é candidata. Quebrar e varrer é o que não se faz: a peça desce inteira e molhada, embalada ainda no telhado, com equipe treinada e aterro licenciado no fim.

Tijolo maciço sem estrutura de concreto. Parede autoportante, sem pilar e sem cinta. Fragmenta fácil, e é exatamente a que depende do travamento do telhado.

Madeira em forro, estrutura e esquadria. Peça de madeira maciça que hoje não se compra pelo mesmo preço, e que tem mercado de reuso.

Instalação elétrica antiga. Fiação sem aterramento, quadro sem disjuntor, e emenda embutida sem cadastro. Corte e bloqueio na entrada, sempre confirmados no medidor.

Ladrilho hidráulico e piso de época. Retirado inteiro, tem valor. Quebrado, é entulho.

A retirada do que tem valor é manual e vem antes

A ordem aqui é a de sempre em demolição, e a casa antiga é onde ela mais rende:

Porta e janela de madeira maciça, ladrilho hidráulico, tijolo maciço, telha colonial, peça de ferro fundido, madeira de forro. Tudo isso tem procura real e comprador.

A condição é temporal: sai antes da máquina, e sai manualmente. Depois que o equipamento entra, o que era material de reuso vira entulho misturado, deixa de gerar receita e passa a custar transporte.

Em casa antiga bem conduzida, essa etapa costuma pagar uma parte relevante da obra.

O terreno guarda mais coisa que a casa

O que está enterrado é o que mais volta como problema depois da obra pronta:

Fossa e sumidouro desativados. Em imóvel anterior à chegada da rede de esgoto na rua. São vazios, e precisam ser esvaziados, limpos e preenchidos com material compactado.

Cisterna e poço. Mesmo tratamento, mesma razão.

Piso de porão. Comum em terreno com declive, e invisível de fora.

Tanque e caixa separadora, em imóvel que teve uso comercial. Mudam a natureza do serviço, com trâmite ambiental próprio.

Jogar o entulho da própria casa lá dentro é o atalho de sempre, e ele não fecha nada: o material lançado se arruma sozinho ao longo dos meses, e o piso da construção nova desce junto.

A casa está colada nas outras

Em bairro consolidado, casa antiga costuma dividir parede ou estar a centímetros do vizinho. Isso muda a obra:

  • parede geminada pode ser comum às duas casas, e nesse caso ela não sai: vira fachada do vizinho e precisa de tratamento e impermeabilização
  • vibração perto de construção igualmente antiga, que também não tem estrutura de concreto
  • acesso para caminhão e caçamba em rua estreita, com janela de horário
  • vistoria cautelar dos imóveis vizinhos antes de começar, que é a providência mais barata da obra

O último item vale por si. Sem a foto do antes, qualquer trinca que o vizinho mostrar depois nasce, para efeito de discussão, na sua obra.

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Perguntas Frequentes

Por que casa antiga é imprevisível se é uma construção pequena?

Porque o que está lá não corresponde a nenhum desenho. Uma casa de cinquenta anos passou por ampliações, mudança de cobertura, fechamento de varanda, troca de instalação e, com frequência, um pavimento acrescentado depois. Cada uma dessas intervenções foi feita sem registro e nem sempre com critério. O que se contrata, então, não é a demolição de uma construção conhecida: é a demolição do que for encontrado, e essa diferença precisa estar clara no orçamento.

Pode começar tirando o telhado?

Depende de como as paredes estão travadas, e essa é a verificação mais importante da obra. Em construção antiga de tijolo sem cinta de amarração no topo, a própria estrutura do telhado é o que trava as paredes umas às outras. Retirá-la primeiro deixa paredes altas e esbeltas soltas, que podem tombar para fora. Quando não há cinta, ou se remove com travamento provisório, ou se derruba parede e cobertura de forma conjunta e controlada.

Casa antiga em São Paulo pode ter amianto?

Pode, e é o passivo mais frequente. Telha ondulada de fibrocimento e caixa d'água do mesmo material foram padrão por décadas, e o estado de São Paulo proibiu o amianto pela Lei 12.684/2007. Construção anterior a isso é candidata. A telha sai inteira e molhada, manuseada por quem tem treinamento para isso, e o destino é aterro licenciado para esse resíduo. Descobrir isso com a máquina em campo significa parar a obra.

O que numa casa antiga tem valor?

Mais do que costuma parecer, e o mercado de reuso é ativo. Porta e janela de madeira maciça, ladrilho hidráulico, tijolo maciço, telha colonial, peça de ferro fundido e madeira de forro e de estrutura têm procura real. A condição é a mesma de sempre e é temporal: a retirada precisa ser manual e anterior à demolição mecanizada. Depois que a máquina entra, tudo isso vira entulho misturado e passa a custar transporte em vez de gerar receita.

O que costuma existir enterrado no terreno?

Fossa e sumidouro desativados, em imóvel anterior à chegada da rede de esgoto, que são vazios que precisam ser esvaziados e preenchidos com material compactado. Cisterna e poço, pelo mesmo motivo. Piso de porão que não aparece de fora. E, em imóvel que teve uso comercial, tanque de combustível ou caixa separadora, que mudam a natureza do serviço. Deixar um vazio desses fechado por entulho gera recalque na obra seguinte, e ele aparece com a construção nova já pronta.

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