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Demolição de pilares e vigas de concreto

A viga sai antes do pilar. Um pilar sem as vigas dele deixa de ser pilar: vira uma peça alta e solta, sem nada que a trave na horizontal.

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Demolição de pilares e vigas de concreto da GVI Demolidora

Existe uma regra de ordem que resolve a maior parte dos problemas desse serviço, e ela é curta: a viga sai antes do pilar.

O motivo é que a relação entre os dois não é de mão única. O pilar recebe carga da viga, isso todo mundo sabe. O que se esquece é a outra metade: a viga trava o pilar na horizontal.

Um pilar sem as vigas dele deixa de ser aquele pilar. Vira uma peça alta, esbelta e sem contenção lateral, com capacidade muito menor do que a de projeto.

Um pavimento com pilares de pé e vigas já removidas é o arranjo mais perigoso que se pode montar numa estrutura de concreto, e ele aparece com frequência, porque parece progresso.

A ordem dentro do pavimento

Ela decorre do caminho da carga, invertido:

  1. laje, que descarrega nas vigas
  2. vigas, que descarregam nos pilares
  3. pilares, que a essa altura não recebem nem contêm mais nada

Inverter qualquer par cria uma estrutura intermediária que ninguém dimensionou:

  • laje sem viga fica sem apoio de borda
  • viga sem laje perde parte da seção que trabalhava junto com ela
  • pilar sem viga fica sem travamento

Não é preferência de método. É a única sequência em que cada elemento permanece numa condição prevista por alguém.

A armadura da viga está concentrada onde ninguém espera

A intuição diz que o meio do vão é a parte mais solicitada, e portanto a mais armada. Na demolição, a experiência contradiz isso.

No meio do vão a viga precisa de armadura na face inferior, para o momento positivo. Os estribos são mais espaçados.

Nos apoios somam-se duas coisas: a armadura superior, de momento negativo, e o adensamento dos estribos por causa do esforço cortante, que é máximo ali.

O resultado prático:

  • o trecho central fragmenta com bem menos esforço
  • a região do encontro com o pilar é a mais trabalhosa da peça inteira
  • estimar a viga por uma média esconde onde as horas vão

É por isso que atacar pelo centro é mais produtivo, quando a estática permite.

Biapoiada e contínua não se cortam do mesmo jeito

Aqui está a verificação que precede o corte.

Viga biapoiada. Vence um vão entre dois apoios e não interage com os vizinhos. Cortar no meio do vão libera a peça sem afetar nada além dela.

Viga contínua. Atravessa vários apoios e trabalha como um conjunto. Cortar no meio de um vão redistribui momentos nos trechos vizinhos, e pode inverter o sinal do esforço em regiões que não têm armadura para recebê-lo.

A distinção aparece no projeto, quando existe, e visualmente na continuidade da peça sobre os apoios. Fazê-la leva minutos; não fazê-la produz fissura em trecho que deveria permanecer intacto.

O pilar isolado é um problema de direção

Quando chega a vez do pilar, há dois caminhos, e a escolha é de espaço:

Tombamento induzido. Enfraquecer a base de forma controlada de um lado, para que a peça caia na direção livre, com a máquina posicionada fora dessa direção e ninguém no raio de tombamento. É rápido, e exige área.

Fracionamento de cima para baixo. Reduzir o pilar por trechos, começando pelo topo. É mais lento e não depende de espaço livre. É o caminho quando há estrutura, via ou divisa por perto.

O erro característico é o intermediário: enfraquecer a base sem definir a direção. A peça cai, só que para onde ela decidir.

Consolo, viga de transição e protensão

Três casos que fogem da regra geral e valem identificação prévia:

Consolo. Elemento em balanço saindo do pilar, que sustenta viga ou peça pré-moldada apoiada nele. Ele não tem apoio do outro lado, e carregar sobre um consolo já parcialmente demolido é receita de queda.

Viga de transição. Recebe pilares que não descem até a fundação, redistribuindo a carga deles. É a peça mais crítica de qualquer estrutura que a tenha, e removê-la fora de sequência afeta tudo que está acima.

Peça protendida. Contém cabos sob tensão permanente. O indício é a proporção: altura pequena demais para a distância vencida. Exige identificação do traçado e alívio controlado antes de qualquer corte.

Os três têm em comum o fato de não se distinguirem por aparência. Só o levantamento os encontra.

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Perguntas Frequentes

Por que a viga sai antes do pilar?

Porque a viga é o que trava o pilar na horizontal. Um pilar não trabalha isolado: ele recebe carga das vigas e, em troca, é contido por elas contra deslocamento lateral. Removidas as vigas, aquele mesmo pilar passa a ser uma peça alta, esbelta e sem contenção, com capacidade muito menor do que tinha e sujeito a instabilidade. Deixar pilares soltos de pé enquanto se avança na obra é o arranjo mais perigoso que se pode montar numa estrutura de concreto.

Onde a viga tem mais armadura?

Junto aos apoios, e isso costuma surpreender quem espera o contrário. No meio do vão a viga precisa de armadura na face inferior; nos apoios, além da armadura superior de momento negativo, os estribos ficam bem mais próximos por causa do esforço cortante. O resultado prático é que o trecho central fragmenta com bem menos esforço, e a região do encontro com o pilar é a mais trabalhosa da peça inteira.

Cortar a viga no meio do vão resolve?

Resolve em viga biapoiada, que vence um vão entre dois apoios e não interage com os vizinhos. Em viga contínua, que atravessa vários apoios, cortar no meio do vão altera a distribuição de momentos nos trechos vizinhos e pode inverter o sinal do esforço em regiões que não foram armadas para recebê-lo. Distinguir uma da outra vem antes do corte, e a diferença aparece no projeto ou na continuidade visível da peça sobre os apoios.

Qual a sequência correta num pavimento?

De cima para baixo e da laje para o pilar. Primeiro a laje, que descarrega nas vigas; depois as vigas, que descarregam nos pilares; por último os pilares, que já não recebem nem contêm nada. Inverter qualquer par dessa ordem cria uma estrutura intermediária que ninguém dimensionou: laje sem viga fica sem apoio de borda, e pilar sem viga fica sem travamento. A ordem não é preferência de método, é a única que mantém cada elemento em condição prevista.

Como se derruba um pilar isolado com segurança?

Com direção de queda definida e sem ninguém no raio de tombamento, ou fracionando de cima para baixo em vez de derrubar inteiro. Quando o pilar precisa cair, o procedimento é enfraquecer a base de forma controlada num lado, para induzir o tombamento na direção livre, com a máquina posicionada fora dessa direção. Quando não há área livre suficiente, a alternativa é reduzir o pilar por trechos, começando pelo topo, o que é mais lento e não depende de espaço.

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