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Demolição de alvenaria estrutural

Nesse sistema não existe parede que possa sair. Não há viga nem pilar para redistribuir carga: a parede é a estrutura, e é por isso que a pergunta muda.

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Demolição de alvenaria estrutural da GVI Demolidora

Numa edificação convencional, a pergunta da reforma é conhecida: qual parede pode cair? Existe uma resposta, porque vigas e pilares sustentam o prédio e boa parte das paredes apenas fecha ambiente.

Em alvenaria estrutural, essa pergunta não tem resposta. As paredes são a estrutura. Não há pórtico para redistribuir carga, porque não há pórtico.

A pergunta correta passa a ser outra: o que precisa ser construído antes para que essa parede possa sair.

Como reconhecer o sistema

O sinal mais confiável é uma ausência.

Não há pilares. Em construção convencional eles aparecem nos cantos, nos encontros de parede e na garagem, criando saliências. Em alvenaria estrutural a laje apoia direto sobre a parede, e o ambiente é limpo de saliência estrutural.

Outros indícios:

  • bloco vazado de concreto ou cerâmico, com os furos na vertical
  • paredes de espessura constante, alinhadas de um pavimento a outro
  • nenhuma reforma anterior tendo aberto vão, mesmo em prédio antigo
  • projeto de modulação, quando existe documentação

Na dúvida, um furo em ponto discreto responde: se aparece graute e armadura dentro do bloco, o sistema é estrutural.

Graute é pilar que não se vê

Em pontos definidos pelo projeto, os furos do bloco recebem graute, concreto fluido, quase sempre com armadura vertical dentro.

Aquele trecho de parede passa a se comportar como um pilar embutido. Por fora, nada o distingue do restante.

Isso tem duas consequências práticas na demolição:

O esforço muda de patamar naqueles pontos, porque ali não há bloco vazado para fragmentar: há concreto armado.

A carga se concentra ali. Encontrar graute no meio de uma parede não é um obstáculo inesperado, é informação estrutural sobre por onde o peso está descendo.

Abrir vão exige inverter a intuição

A sequência intuitiva é abrir e depois reforçar. Em alvenaria estrutural, ela é a causa mais comum de fissura e de colapso parcial.

A ordem correta é a oposta:

  1. dimensionar o elemento que vai receber a carga do trecho a remover
  2. escorar o pavimento acima
  3. executar a verga ou o pórtico de substituição
  4. aguardar que ele atinja a resistência de projeto
  5. só então remover a alvenaria por baixo

O passo 4 é o que costuma ser atropelado quando o cronograma aperta, e é o que não admite atropelo: a estrutura nova precisa estar pronta para trabalhar antes de a antiga sair.

O caminho da carga desce em linha

Numa estrutura convencional, um pilar recebe carga de vigas que vêm de várias direções, e há alguma capacidade de redistribuição.

Em alvenaria estrutural, o caminho é vertical e direto: a parede do último pavimento descarrega na parede do pavimento de baixo, e assim por diante até a fundação.

Duas consequências que mudam o planejamento:

Intervenção num pavimento afeta todos os de baixo. A carga que aquela parede recebia continua existindo e precisa de caminho.

A demolição parcial de um prédio inteiro é sempre de cima para baixo. Não existe a opção de trabalhar num pavimento intermediário deixando os superiores intactos, porque eles se apoiam exatamente no que se pretende remover.

O sistema misto engana

O arranjo mais comum em prédio residencial brasileiro não é alvenaria estrutural pura:

  • térreo e garagem em concreto armado, com pilares e vigas
  • pavimentos-tipo em alvenaria estrutural
  • uma laje ou viga de transição entre os dois

Quem visita a garagem vê pilares e conclui que o prédio inteiro tem estrutura convencional. É a conclusão errada mais frequente nesse tipo de edificação, e ela leva a intervir num apartamento como se houvesse pórtico para redistribuir carga.

Identificar em que pavimento o sistema muda faz parte do levantamento, e não do projeto de reforma.

Demolição total: o sistema trabalha a favor

Tudo que torna a intervenção parcial difícil torna a demolição total mais simples.

Não há concreto armado em quantidade, não há armadura pesada a cortar, e o bloco vazado fragmenta com esforço bem menor que o de uma estrutura convencional. O volume de resíduo por metro quadrado também é menor.

O que permanece exigente é a sequência: o prédio desce de cima para baixo, sem exceção, porque cada pavimento se apoia no seguinte. Não há a possibilidade, comum em estrutura de concreto, de atacar apoios e derrubar trechos maiores de uma vez.

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Perguntas Frequentes

Como saber se um prédio é de alvenaria estrutural?

Pela ausência de pilares. Em edificação convencional os pilares aparecem nos cantos e nos encontros de parede, criando saliências no ambiente e na garagem. Em alvenaria estrutural não há nenhum: a laje apoia direto sobre a parede. Outros sinais são o bloco vazado de concreto ou cerâmico com furos na vertical, paredes de espessura constante e alinhadas entre pavimentos, e nenhuma reforma anterior tendo aberto vão. Na dúvida, um furo revela se há graute e armadura dentro do bloco.

Existe parede não estrutural nesse sistema?

Em edifícios projetados inteiramente nesse sistema, quase não. Pode haver divisória leve em banheiro ou closet, mas a regra é que toda parede recebe carga e faz parte do caminho que leva o peso até a fundação. É por isso que a pergunta usual da reforma, sobre qual parede pode cair, não tem resposta aqui. A pergunta correta é outra: o que precisa ser construído antes para que aquela parede possa sair.

Dá para abrir um vão em parede estrutural?

Dá, com projeto e com uma estrutura de substituição executada antes. O caminho é sempre o mesmo: dimensionar o elemento que vai receber a carga, escorar o trecho, executar a verga ou o pórtico, esperar que ele atinja resistência e só então remover a alvenaria por baixo. Inverter essa ordem, abrindo primeiro para reforçar depois, é a causa mais comum de fissura e de colapso parcial nesse tipo de edificação.

O que é graute e por que ele muda a demolição?

É concreto fluido lançado dentro dos furos do bloco, em pontos definidos por projeto, quase sempre junto com armadura vertical. Ele transforma aquele trecho da parede em algo próximo de um pilar embutido, que não se vê por fora. Muda a demolição em dois sentidos: aumenta muito o esforço de remoção naqueles pontos, porque ali não é bloco vazado, e indica que aquele trecho concentra carga. Encontrar graute no meio de uma parede é informação estrutural, não só um obstáculo.

E os prédios que misturam os dois sistemas?

São comuns e enganam. O padrão frequente é térreo ou garagem em concreto armado, com pilares e vigas, e os pavimentos acima em alvenaria estrutural, com a transição feita por uma laje ou viga de transição. Quem olha só o térreo conclui que o prédio inteiro tem estrutura convencional, e essa conclusão errada leva a intervir num pavimento superior como se houvesse pórtico para redistribuir carga. Identificar o pavimento em que o sistema muda é parte do levantamento.

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