Incêndio
Concreto perde resistência com o calor e o aço perde mais ainda. O dano continua depois de o fogo apagar.
QuandoEdificação sinistrada
Demolição de alto risco: a estrutura já não está como foi projetada, então a ordem de desmonte não se lê na planta. Ela é definida por vistoria e escoramento.
Numa demolição normal, a planta responde a pergunta central: o que sustenta o quê, e em que ordem as coisas podem sair. É por isso que o projeto arquivado é o primeiro documento que se procura.
Em estrutura comprometida essa resposta não vale mais. Incêndio, recalque, corrosão de armadura, sobrecarga ou impacto mudaram o caminho da carga, e o prédio que está de pé não é mais o prédio que foi calculado. Ele pode estar apoiado em algo que não foi projetado para isso.
Por isso a sequência aqui começa em outro lugar: vistoria estrutural, estabilização e só então remoção. Escoramento, contenção e às vezes reforço temporário entram antes da demolição, e essa etapa costuma custar e demorar mais que a derrubada em si.
Há ainda um caso em que o acesso não é possível. Quando a estrutura pode ceder sem aviso, o trabalho passa a ser remoto, braço longo operado à distância, com a área evacuada e sequência definida para que o colapso, se acontecer, aconteça para dentro e não para a divisa.
Cada causa abaixo deixa um tipo diferente de dano e exige uma leitura diferente. Saber a origem é o que permite prever como a estrutura vai se comportar quando um elemento sair.
Concreto perde resistência com o calor e o aço perde mais ainda. O dano continua depois de o fogo apagar.
QuandoEdificação sinistrada
Apoio que cedeu redistribui carga para elementos que não foram dimensionados para recebê-la.
QuandoTrinca em diagonal e desaprumo
Aço oxidado expande, lasca o cobrimento e perde seção. A peça parece inteira e não tem mais a capacidade original.
QuandoEstrutura antiga e ambiente agressivo
Uso acima do previsto, acúmulo de material ou pavimento acrescentado deformam elementos permanentemente.
QuandoMudança de uso sem reforço
Perda súbita de um elemento, com o resto da estrutura buscando um caminho de carga alternativo.
QuandoColisão e sinistro
Obra começada por terceiros que retirou o elemento errado e deixou a estrutura em equilíbrio precário.
QuandoServiço interrompido no meio
Em todos os casos a pergunta é a mesma, e ela não se responde de fora: por onde a carga está descendo agora. É isso que a vistoria estrutural estabelece e que define a sequência inteira.
Escoramento numa obra que vai ser demolida costuma parecer contradição. Ele não existe para salvar a edificação: existe para tirar dela a decisão de quando cair.
Sem estabilização, retirar um elemento pode desencadear colapso em cadeia num instante e numa direção que ninguém escolheu, e é assim que uma demolição atinge a divisa ou a via. Com escoramento, cada trecho sai na ordem prevista, e a estrutura desce quando a equipe decide. É a etapa que mais consome prazo e a que dispensa a maior parte do risco.

Cada item abaixo é um procedimento normal em demolição comum e um erro grave aqui. A diferença é que a estrutura não avisa antes de ceder.
Inspeção interna em estrutura instável se faz por meio remoto, com equipamento, e não com pessoa.
QuandoRisco de colapso sem aviso
Retirar o trecho de acesso mais simples costuma ser retirar justamente o que está travando o resto.
QuandoSempre, e é o erro mais comum
Estabilizar antes é o que transforma um colapso possível numa remoção controlada.
QuandoQualquer elemento com dano visível
Isolamento dimensionado pela planta, e não pelo risco real, deixa vizinhança e via dentro da zona de projeção.
QuandoEdificação alta ou em divisa
Vale isolar um perímetro maior do que parece necessário e mantê-lo até o fim. Em estrutura instável, o raio de projeção de um colapso é maior que a altura da edificação, e não menor.
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Não é o tamanho da edificação, é a condição dela. Uma demolição entra nessa categoria quando a estrutura já não se comporta como foi projetada, por incêndio, recalque de fundação, corrosão de armadura, sobrecarga, impacto ou uma demolição iniciada e interrompida por terceiros. Nesses casos a planta arquivada deixa de responder qual elemento sustenta qual, porque o caminho da carga mudou, e a sequência de desmonte precisa ser estabelecida por vistoria estrutural.
Parece contraditório e é justamente o que torna o serviço seguro. Escoramento e contenção não existem para preservar a edificação, existem para controlar quando e como ela desce. Sem estabilização, a retirada de um elemento pode provocar colapso em cadeia num momento e numa direção que ninguém escolheu. Com ela, cada trecho sai na ordem definida. É por isso que essa etapa costuma consumir mais prazo e mais orçamento que a derrubada em si.
Dá, e em alguns casos é a única forma aceitável. Quando o risco de colapso não permite acesso, o trabalho é feito por método remoto, com braço longo operado à distância e a área evacuada. A sequência é definida para que o material caia para dentro do perímetro isolado e não em direção à divisa ou à via pública. A inspeção que normalmente seria feita a pé passa a ser feita por meio remoto, com equipamento, antes de qualquer intervenção.
Não, e o motivo é que o dano continua depois de o fogo apagar. Concreto exposto a temperatura alta perde resistência de forma permanente, e a armadura perde mais ainda, sem que isso apareça necessariamente na superfície. Uma peça que parece íntegra pode ter fração da capacidade original. Por isso edificação sinistrada exige vistoria estrutural antes de qualquer definição de método, e costuma exigir estabilização antes da primeira remoção.
A composição tem dois itens que não existem em demolição comum: a vistoria estrutural com responsável técnico, e a estabilização, escoramento, contenção e eventual reforço temporário. Os dois costumam pesar mais que a derrubada. Some o isolamento ampliado, o método remoto quando o acesso não é possível, e o prazo maior, porque a sequência não pode ser acelerada. O orçamento sai após a vistoria, porque antes dela não há como dimensionar honestamente o serviço.
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